Ouço o vento na janela, talvez sejam aqueles fantasmas voltando para me assombrar, levanto da cama e percebo que sim são os mortos querendo me levar com eles em direção ao infinito, pois não há outra alma com carne nessa linhagem é o fim de uma espécie rara. O último elemento dessa história é a solidão, minha companheira de fé, considerando todos que se foram é nela que tenho mais confiança, carrego seus gritos silenciosos esperando arrancar deles uma solução.
Essas quatro paredes negras vivem se fechando com o partir do sol, renasce o grande espaço ao clarear e com ele as batidas descompassadas tomam ritmo agitado fortalecendo os músculos até então desprovidos de movimento. As horas passam de vagar todos olham e não vêm que a cor do céu começa a mudar trazendo a noite nublada que esconde as estrelas, pequenos focos de luz antes usados para iluminar as tais paredes.
Uma verdadeira criança órfã sentada nas escadarias do prédio, esperando algum amigo para brincar, mas não exite ninguém disponível durante a noite todos dormem cedo, só resta aguardar o sol brilhar novamente. De que vale ter um sorriso cativante se ele nasce com o astro rei e morre com Lua...

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