Novamente entregue a estas letras solitárias compassadas por
claves provocantes e altas, marcando a duração de cada batida querida, mas não
sentida, ouve-se apenas o som ecoando no vazio e nele também posso encontrar uma
pergunta vagando lentamente, algo sobre uma solução que procurava ou ainda procuro,
entre devaneios sinto a resposta passando suavemente pelos ouvidos e ela dizia
que só encontraria a tal paz em um céu azul e branco onde vaga um anjo incomum
que de tanto errar foi castigado a andar e não mais voar, com suas asas
quebradas ele necessita de uma outra anja para socorrer seus desejos e voltar a
sentir os pés difamados fora desse chão imundo coberto de folhas secas.
A
ausência de água fez secar as tais folhas, a ausência de carinho fez secar o
sentimento da salvadora e agora os dois sagrados seres vivem sozinhos na mata
que separa dois céus azuis de nuvens brancas, é doloroso ver a pequena distancia
criando abismos longos de mais para tão pouco tentar, e se pelo menos tentassem
talvez seria possível esconder alguns buracos desse louco caminho, no entanto
nada vale ela voar para perto, cuidar e depois ser julgada pelos faladores da
corte real.
Nas viagens longas o melhor é a chegada ao destino esperado,
ou a companhia, e quando não se tem nenhum motivo para sair o melhor é esperar
a hora certa de voar ao infinito e além.

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