Quando um prisioneiro retorna a sua cela nada parece igual,
são sim as mesmas pedras e o mesmo pôr do sol, mas não adianta ele não é aquele
deitar solitário que estava acostumado, agora a dor é maior, pois se sabe que
lá fora o sol adormece em larga escala brilhando entre trezentos e sessenta
graus pintando de dourado tudo encontrado no caminho.
Loucura correndo pelas veias substituindo o sangue inutilmente
quente e insistente em palpitar um coração seco de amor ou qualquer outro
sentimento, essa tal vítima do júri achava ser impossível respirar sem sentir,
no entanto agora parece que o antes era uma grande tolice onde os sentimentos estavam
pulando como moléculas no calor da panela e a vida era o fogo que ardia na
história supostamente de amor, quem nunca amou aquele sofredor hoje está
comemorando vitória à custa dessa maldita dor, e se deixou doer ainda mais por
ter de estar ao lado desse sorridente companheiro de cela.
O sorridente e o triste, duas faces de um mesmo personagem
separados por poucos minutos, algumas magoas e quilômetros de orgulho, não
deveria ser mais um conto póstumo, entretanto não conseguir controlar as
próprias palavras fez dele servo dessa sala escura trancada com um cadeado
aberto.

Nenhum comentário:
Postar um comentário