Passam pássaros e aviões em um antigo céu azul de outono,
lembro bem daqueles olhos brilhantes perdidos nos meus, posso ainda sentir os
braços que me envolviam querendo tirar toda a tristeza do meu corpo e acalmando
minha alma despedaçada e sem mais esperanças.
Tentando nomear o que sinto compreendi que nunca se pode mergulhar duas vezes no mesmo rio, pois existe
correnteza, mesmo na parte mais calma e aparentemente parada está tudo em movimento,
igualmente a energia onde não poder ser criada nem destruída,
apenas transformada, também são os sentimentos primários, nascemos sabendo
amar, crescemos aprendendo a odiar e envelhecemos multiplicando o dom de
perdoar.
Nessas transformações eternas da vida me deparo com o fato
de ser apenas mais um aprendiz buscando explicar o inexplicável, um filhote de fênix
indefeso, no entanto protegido por um irmão de espécie e parceiro em todos os vôos
sem rota, um dia ouvi que não é preciso ter fim para encerrar, escrevi diversos
fins acreditando ser impossível apenas encostar a porta e não trancar, hoje
acredito no poder de uma vírgula e de um ponto continuativo. E é assim sem uma resposta exata sobre meus sentimentos que continuo a desfrutar da alegria no teu olhar, voando junto em qualquer direção.

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