Perguntei ao senhor dos tempos o que fazer, não obtive resposta, no entanto ainda estou no mesmo relógio girando inúmeras vezes, vendo os outros passando e não saindo do lugar, enquanto isso além desse vidro vejo minha amada em prantos no meio da multidão.
Liberdade desejada e agora conquistada, alterando uma rotina simples de um ponteiro de minuto, um escravo sem correntes é livre, mas o que fazer após a abolição não se sabe, tentar um emprego é impossível, já que ele não tem experiência, montar o próprio negócio mais difícil, pois não tem dinheiro, ou seja, viver as custas da caridade alheia. Passei anos sendo levado pelo tempo, agora o que fazer se não sou mais usado, aprender a pensar sozinho é complicado quando tem idade de ser um sábio, procurar outra parede pode funcionar, mas terei que voltar a ser o que era, só que agora em outro lugar e ver outras pessoas.
Poderia pedir liberdade, entretanto sei o quanto inútil ela é, por isso aceito continuar parado na lembrança dos olhos desesperados que sempre imploravam para eu correr.
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